Trajetória

Meu percurso acontece no entre.
O flamenco e as manifestações tradicionais brasileiras, especialmente as tradições e brincadeiras da Zona da Mata Norte de Pernambuco, são presenças importantes nessa caminhada. Ao longo dos anos, esses universos me levaram a diferentes grupos, mestres, territórios e processos de criação, mas também me fizeram perguntar sobre aquilo que existe entre uma cultura e outra, entre uma linguagem artística e outra, um suporte e outro, entre o corpo que aprende e o corpo que transforma, se pertencer e estar de passagem não são afinal faces do mesmo fenômeno.

Minha pesquisa de campo alimenta meu fazer artístico, assim como a experiência de criação transforma meu modo de olhar para os territórios e para as manifestações que pesquiso e pratico. Ela vem constituindo minha subjetividade. Interessa-me não apenas o movimento, mas tudo aquilo que o sustenta: a memória, a música, o trabalho, o rito, a festa, a relação com a terra, os modos de transmissão e as histórias que os corpos são.

Essa investigação esteve presente em inúmeros trabalhos: Qual é o seu fermento?EntrelinhaR – cartas ao desconhecidoVestígios MercuriaisVeredas – Estudos de Poética das TravessiasOutras Margens do RioCiaporã e Eu Não Sou Daqui, além das experiências compartilhadas com o Azougue – Laboratório de Experimentação Cênica, o Núcleo Manjarra e a Oficina Flamenkera.

Em paralelo, a educação tornou-se parte fundamental desse caminho. Desde 2005, atuo como arte-educadora e professora de práticas corporais, trabalhando com diferentes idades e contextos e entendendo o corpo também como lugar de descoberta, cuidado, criação e relação.

Minha trajetória não é uma linha reta. É feita de idas e vindas, aproximações, deslocamentos e encontros. Uma pesquisa que continua se fazendo no corpo, no território e na relação com o outro, no entre.