Arado – Aboio – Auto
Performance duracional em três atos, inspirada nas sensações e memórias pessoais da artista Carolina Moya em relação à terra, o trabalho urbano e rural, boi bicho e boi figura de folguedos populares brasileiros (especificamente nesta performance, a figura do boi de cavalo marinho pernambucano e do bumba-meu-
boi maranhense).
Arado – Aboio – Auto é a terceira parte da trilogia, Poética das Travessias (Veredas -2019, Eu Não Sou Daqui – 2022), na qual
Carolina investiga sua corporeidade híbrida a partir de suas movências pelo mundo, como alguém de fora das tradições centrais de sua pesquisa artística, o flamenco e os folguedos/manifestações populares brasileiras (ou brincadeiras). Nesta performance, Carolina, conta mais uma vez, com a parceria artística do músico e artista multilinguagens, Ivan Silva, criando a ambientação sonora através de instrumentos sintetizadores e sons distorcidos ao vivo.
O processo de criação desta performance foi objeto de pesquisa de mestrado de Carolina Moya, em Artes Visuais, na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) no Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais linha de pesquisa 3, de poéticas visuais.

Samuel Oliveira

Daniel Cunha
Eu, Erva Daninha
Performance duracional (sem tempo definido e pré-determinado), na qual Carolina Moya trabalha a temática do espalhamento daquilo que é diferente e, justamente por isso, muitas vezes indesejado. Mas que tem papel fundamental no ambiente em que se apresenta e manifesta. Traz também a reflexão sobre morte/vida e as ações de enterrar/semear. Quando enterramos algo matamos ele ou damos condições de germinação pra esse algo? Colocar em baixo da terra mata a pulsão de vida ou a fortalece? Carolina coleta do público presente anseios de coisas que brotem da terra como sementes ou sejam enterradas e esquecidas, através da escrita no papel que seja enterrado e fincado uma espada de são jorge no local.
Praga. Substantivo feminino.
Uma erva daninha (ou infestante) é qualquer planta de caráter silvestre que cresce em áreas controladas pelos humanos como cultivos, hortas ou jardins e cuja presença é indesejada. Apesar de estarem associadas a aspectos negativos, também tem vantagens, por exemplo, regeneração e biodiversidade do solo.
Ao preparar o solo para cultivo da plantação o arado enterra restos de outros cultivos e ervas daninhas.
Quando enterramos algo, ele morre ou brota?
Enterrar é matar ou semear?

Ciaporã
Projeto inter-linguagens, videodança e performance, idealizado pelas artistas Carolina Moya e Julia Giannetti.
A videodança Ciaporã – Da Casa do Povoador à Lagoa das Almas, aborda a temática das memórias dos povos originários da região de Piracicaba e discute o extermínio da ancestralidade originária Paiaguá, etnia que tinha um forte vínculo com a Bacia do Paraná, inclusive com o rio Piracicaba, dentre outros presentes nesse território, como os Tupi-Guarani. Neste trabalho Carolina Moya e Julia Giannetti trazem também de modo sutil a ideia do Espírito do Lugar e das forças naturais, nossas raízes e heranças étéreas aprendidas com nossos povos antigos.
A performance, na mesma temática, consiste na preparação ritual dos performers seguida de escrita no asfalto com nomes de rios, afluentes e córregos soterrados; Escrita no asfalto dos nomes de etnias indígenas exterminadas e em pedras e devolvê-las ao ambiente urbano.
A ação tem caráter presencial e duracional, sem tempo exato definido. Ciaporã é uma performance que começa ao se debruça sobre a temática das memórias do povos originários da região de Piracicaba, assim como das memórias das barrancas do rio que dá nome a cidade. A ação discute o extermínio da ancestralidade originária Paiaguá, etnia que tinha um forte vínculo com a Bacia do Paraná, inclusive com o rio Piracicaba, dentre outras presentes nesse território. Neste trabalho Carolina Moya e Julia Giannetti expandem sua busca em direção às memórias das margens ampliadas, de modo que a força da poesia do Espírito do Lugar e de nossas raízes reforcem em nós sua potência perante o embate entre o colonizador e o colonizado. Não só de Piracicaba mas do estado de São Paulo como um todo.

Troca-se?
A performance “Troca-se?” aborda a temática da troca e reflete de quais modos é possível trocar, o que acontece quando se estabelece uma troca e qual o sentido dessa ação.
Carolina, troca perguntas, sem resposta.
As trocas são realizadas sempre entre a performer e uma outra pessoa que esteja disposta a trocar. A ação tem carater duracional.
O objetivo da intervenção é refletir sobre a troca enquanto uma ação que carrega em si o potencial de transformação dos indivíduos envolvidos, enquanto uma ação que também carrega o sentido de inverter a ordem ou sentido de algo. Uma ação cotidiana em certos contextos e ao mesmo tempo tão estranha, em outros. Um convite às pessoas trocarem seus anseios, suas dúvidas mais profundas, seus “não lugares” com o anseios, dúvidas e não lugares do outro.
Como um corte no cotidiano individualista e solitário, busco a relação. A troca como possibilidade de relação e a relação como meio da troca. A intervenção convida e pergunta: Quer trocar?
Performance já realizada em São Paulo, Argentina e Bolívia.

A Casa Preta – São Paulo/SP

Santa Cruz de La Sierra – Bolívia

Córdoba – Argentina

Praça Cornélia – São Paulo/SP